Update

16.7.18





Fazia possivelmente muito mais sentido publicar aqui o texto que se seguiria da nossa viagem, e sei bem que os posts sobre a mesma não tiveram nem têm a cadência desejada, mas não quis forçar a escrita e por isso ainda estão por sair. Não é que este texto não esteja de alguma forma relacionado com a viagem, porque está, mas de uma forma colateral.

Este texto é também uma forma de resposta a algumas perguntas que me têm feito sobre a menor quantidade de peças que tenho feito e mostrado. Para responder vou recuar um pouco até ao final de 2017, o fim de um ano muito cansativo, em que lidei com muitos projectos, encomendas de dimensões grandes e dead lines constantes. Cheguei ao fim cansada, em demasia e já rumei à Índia com a vontade de atribuir real significado à expressão “slow”. Num mês de viagem onde as distâncias são grandes, as viagens de comboio são intermináveis e as escalas têm duas mãos cheias de horas, quer se queira quer não, o tempo abranda e dá-nos tempo para olhar para dentro.  

Percebi nessa análise que me estava a desviar do real propósito com que tinha iniciado o projecto, que estava aborrecida porque já não me surpreendia e que a minha criatividade estava estagnada porque não tinha tempo para a alimentar. No meio de encomendas, emails, updates de redes sociais, styling de imagens, estava embrenhada numa rede e nem me tinha dado conta. Senti a real necessidade de parar e de arranjar mecanismos que me fizessem lembrar disso mesmo com alguma regularidade – porque para mim seria fácil entrar no mesmo círculo sem dar por nada – e perder  identidade. 

Decidi dedicar o ano que começava a encontrar-me, a mim e ao projecto e pouco tempo depois descobria que estava grávida do meu segundo filho. Tudo parecia estar em sintonia. Na perspectiva do lado pessoal isso significa dedicar mais tempo à família e a fazer outras coisas que tanto gosto e que me alimentam a criatividade também. Na perspectiva do projecto, a aceitar menos trabalho, a experimentar coisa novas, a ter tempo para errar e fazer de novo, a pintar, desenhar e exercitar a imaginação, a fazer pequenas formações em outras áreas inspiradoras e, com tempo, dar o rumo e a identidade que senti que no final do ano se podia estar a perder.

Este projecto é uma extensão de mim e quero muito que represente isso mesmo, quero fazer peças simples mas bonitas, verdadeiras e perfeitamente imperfeitas, sofisticadas mas "cruas" ao mesmo tempo. Este é o meu processo evolutivo e acredito que o que estou a semear agora, me dará frutos mais para a frente. Eu pelo menos acredito nisso.

Espero que fiquem desse lado.

Ps: Nas imagens está a minha última criação. E sabem o que me deixa mais satisfeita com o resultado? É o facto de perceber que se eu fosse uma peça têxtil, podia muito bem ser assim. Está disponível na loja online.