Índia, duas mochilas e um bebé

15.2.18

Viajar é uma questão de decisão. Viajar para a Índia, arriscaria dizer que é um misto de decisão, perfil e mentalidade. Viajar para a Índia com uma criança, está para mim ao nível de ter filhos: se pensarmos muito, nunca é a altura certa. Agora vamos cozinhar isto tudo.

Quando comunicámos que íamos fazer uma viagem de um mês para a Índia e levávamos o Sebastião (2 anos e 8 meses), as opiniões, salvo raras excepções,  dividiram-se entre: "vocês são malucos" e um silêncio ensurdecedor. Meses antes, já havíamos nós parado para pensar e repensar no assunto e decidido deixar de o fazer. Com a idade dele, o melhor lugar para estar, era onde nós estávamos, independentemente de onde isso fosse geograficamente. 
De regresso, digo-vos: levá-lo foi a melhor decisão.

Se foi fácil? Não. Mas o próprio destino já não é fácil só por si.
Ele deu-se bem? Sim,  mas não foi de caras. Nos primeiros dois dias não estava ambientado.
Correu tudo bem? Tudo óptimo. Teve uma conjuntivite, que foi curada com recurso a Ayurveda e água do Mar Arábico. Mas, fica a nota: na Índia também há crianças, médicos, hospitais e farmácias.



Vou recuar agora ao antes da viagem. 
Odeio livros de instruções, não aprendo nada via tutoriais de Internet e falta-me a paciência para planear em demasia. Felizmente, tenho ao meu lado alguém que tem um bocadinho disto tudo, por isso, a viagem foi planeada q.b. Sabíamos que ir com o Sebastião tinha como contrapartida organizar minimamente um roteiro, mas também sabíamos que a Índia é imprevisível, que uma criança consegue ser o dobro e que não queríamos ir sem espaço para o improviso. Por isso, planeámos meio e deixámos o outro meio para decidir no momento. Foi aposta ganha.

Levámos literalmente, duas mochilas e um bebé - uma para nós e outra para ele - roupa pelo mínimo e um conjunto de "imprescindíveis-para-viagens-que-nunca-mais-acabam" e "horas-de-espera-intermináveis". O que para nós se traduziu em música, livros e blocos para desenhar e pintar, e para ele: 2 carros, 2 animais, um livro ilustrado, plasticina, um caderno de folhas lisas e uma caixa de lápis - os brinquedos que iria usar durante um mês. Posso dizer-vos que serviram lindamente, nos aviões e nos comboios entreteve-se com outras coisas como abrir e fechar janelas e foi fazendo amigos e inventando brincadeiras pelo caminho.

Antes de embarcarmos a bordo de dois voos, 11 horas de viagem, uma escala de 9 e de aterrarmos em Delhi e para quem está na indecisão de levar crianças ou não, o que posso dizer é para procurarem a resposta em vós. O que senti com o Sebastião foi que ele absorvia muito através de nós: se estávamos inquietos ele ficava inquieto, se estávamos tranquilos ele ficava em paz. Tão simples quanto isto. Acredito que o temperamento e a personalidade da criança também deve ser equacionado, mas cada pai e mãe saberá analisar melhor do que ninguém.

Na Índia é tudo em muito: muita gente, muito picante, muito doce, muita cor, muito barulho, muita poluição, muitas buzinas, muita simpatia, muita pobreza, muita riqueza, muita beleza...É um país de excessos e onde se consegue ir do "amo" ao "detesto" em menos de uma hora. É um país com o qual se bate de frente, que desafia, que coloca à prova. Se não conseguem desligar da confusão, do barulho, do que está sujo, do que tem lixo, do meter as mãos no chão e não tarda na boca...pode ser penoso. Mas se conseguirem ver para além disso, relativizarem e deixarem de querer controlar o que não é controlável, é uma experiência e tanto. Para adultos e para crianças também.



No próximo post, vamos a Delhi.
Até lá.

5 comentários:

  1. Obrigada pela partilha deliciosa e... Bravo(s)!

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  2. Adoro...ansiosamente à espera de...Delhi. BJ

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  3. Meu marido é indiano e estamos a pensar em ir no próximo ano á india, mas como temos uma bebe de 4 meses estou muito indecisa. Mesmo antes de o conhecer sempre foi um pais que gostaria de ir. Mas agora sao muitos os receios.
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