Alquimia da cor

29.11.16


Há qualquer coisa de mágico na tinturaria natural. É a conclusão mais unânime em quem aprende, experimenta e domina a arte de tingir com o que a Natureza tem para oferecer. Em Outubro, tive o prazer de passar um dia com um grupo animado a aprender esta arte com quem a domina - a Fátima Gavinho -, num lugar especial - o Museu de Etnologia -, e foi realmente bom. 
No Verão já tinha tomado de assalto a cozinha lá de casa para algumas experiências e ainda que o resultado fossem cores tímidas porque o processo não era o mais correcto, fiquei maravilhada.
A Fátima deu-nos as directrizes mas o lema aqui é mesmo experimentar, testar e combinar. Daí que este post não é uma receita de como fazer tinturaria natural, mas mais uma registo fotográfico do que pode ser feito e dos resultados que podem ser obtidos. Durante este dia, usámos casca de cebola, vara de ouro, phitolaca, cochenilha, ruiva, pau campeche e claro, a jóia da coroa - o índigo -, que quanto a mim tem o processo mais espectacular porque passa do verde ao azul por oxidação. Mas falámos de frutos vários, caroços, pinhas, paus, flores e folhas, um Universo por explorar, ao alcance de todos.
E eu - que tenho duas mãos esquerdas a cozinhar -, finalmente percebi qual o meu lugar na cozinha e como gosto de pilotar fogões...









"A,B,C da Tapeçaria"

14.11.16

No sábado passado voltei ao Atelier da Tufi, mas desta vez com o "A,B,C da Tapeçaria" e outros workshops dirigidos aos mais pequenos. Foi um dia tão em cheio quanto possam imaginar e com um detalhe espectacular: o workshop fez parte de uma festinha de aniversário! A da Maria, que comemorava a chegada aos 7 anos com as amigas. Eu sou suspeita, óbvio, mas adorei o conceito de incluir numa festa a possibilidade de criarem em conjunto. 
Organizadores de festas e festinhas, agarrem esta ideia.

Escusado será dizer que foi uma paródia, que de uma forma geral os miúdos (tanto os meninos como as meninas) adoram, que ficam empenhados em fazer a melhor combinação de cores e super orgulhosos do resultado e que saem aos pulos, contentes e com uma prenda pronta a entregar. Dispersam claro, pelo meio querem fazer colares e saltar à corda com os fios, falam pelos cotovelos o tempo todo, mas acabam por desfrutar do tempo que estão dedicados a fazer as suas peças e prometem que vão continuar a fazer.

A motricidade, a concentração e o complemento aos programas curriculares que não dão a devida atenção às expressões e aos trabalhos criativos foram alguns dos motivos que levaram algumas mães a levarem os mais pequenos a este Workshop Day. Eu, como mãe de um bebé de 18 meses confesso que já me preocupo com o tema da falta de disciplinas criativas nos currículos, alicerçado no facto de estar  no mercado de trabalho e saber que nos pedem "omolete sem ovos" todos os dias, independentemente de trabalharmos em Artes Plásticas ou em Gestão. 
Essa foi também a razão porque no Verão fiz a primeira oficina do "A,B,C da Tapeçaria" e porque desta fez criei um conjunto de workshops focados no tema. Para além de adorar, óbvio, vejo nestas horas um trabalho que vai um bocadinho mais além do ensinar e aprender uma arte e por isso, quero muito continuar. Espero contar com o vosso apoio desse lado.

Até já,
Rita