2016

30.12.16

Não vou fazer balanços. Termino 2016 com a sensação de que foi um ano bom mas com a certeza que passei ao lado de muitos dos objectivos traçados e das resoluções propostas. Foi também uma opção. Com um bebé pequenino e sem tempo para chegar a tudo, abrandar foi a escolha que se impôs e a que fazia sentido. O tempo era mais do que precioso (ainda é) e eu queria assistir de plateia a todas as primeiras graças, ditos e conquistas. Queria viver o mais devagar que conseguisse para ver se congelava no tempo os momentos que sabia que não voltavam a acontecer. Foi uma missão cumprida. Agora abre-se um novo ano e com ele novos projectos, objectivos e metas. Tenho a sensação que vai ser um ano meio louco, tenho muitas ideias que gostava de testar e experimentar, estou com muita vontade de fazer acontecer e confesso que estou bastante entusiasmada com tudo isso. Por estes dias vou continuar a recarregar a bateria para agarrar o novo ano com força. 
Resta-me agradecer a todos os que estiveram desse lado incondicionalmente, pelo apoio, pela paciência e pela simpatia. Vemo-nos em 2017, por aí e também por aqui, neste espaço que vai voltar a ser regular. 

Entrem com os dois pés.
Bom Ano!

Alquimia da cor

29.11.16


Há qualquer coisa de mágico na tinturaria natural. É a conclusão mais unânime em quem aprende, experimenta e domina a arte de tingir com o que a Natureza tem para oferecer. Em Outubro, tive o prazer de passar um dia com um grupo animado a aprender esta arte com quem a domina - a Fátima Gavinho -, num lugar especial - o Museu de Etnologia -, e foi realmente bom. 
No Verão já tinha tomado de assalto a cozinha lá de casa para algumas experiências e ainda que o resultado fossem cores tímidas porque o processo não era o mais correcto, fiquei maravilhada.
A Fátima deu-nos as directrizes mas o lema aqui é mesmo experimentar, testar e combinar. Daí que este post não é uma receita de como fazer tinturaria natural, mas mais uma registo fotográfico do que pode ser feito e dos resultados que podem ser obtidos. Durante este dia, usámos casca de cebola, vara de ouro, phitolaca, cochenilha, ruiva, pau campeche e claro, a jóia da coroa - o índigo -, que quanto a mim tem o processo mais espectacular porque passa do verde ao azul por oxidação. Mas falámos de frutos vários, caroços, pinhas, paus, flores e folhas, um Universo por explorar, ao alcance de todos.
E eu - que tenho duas mãos esquerdas a cozinhar -, finalmente percebi qual o meu lugar na cozinha e como gosto de pilotar fogões...









"A,B,C da Tapeçaria"

14.11.16

No sábado passado voltei ao Atelier da Tufi, mas desta vez com o "A,B,C da Tapeçaria" e outros workshops dirigidos aos mais pequenos. Foi um dia tão em cheio quanto possam imaginar e com um detalhe espectacular: o workshop fez parte de uma festinha de aniversário! A da Maria, que comemorava a chegada aos 7 anos com as amigas. Eu sou suspeita, óbvio, mas adorei o conceito de incluir numa festa a possibilidade de criarem em conjunto. 
Organizadores de festas e festinhas, agarrem esta ideia.

Escusado será dizer que foi uma paródia, que de uma forma geral os miúdos (tanto os meninos como as meninas) adoram, que ficam empenhados em fazer a melhor combinação de cores e super orgulhosos do resultado e que saem aos pulos, contentes e com uma prenda pronta a entregar. Dispersam claro, pelo meio querem fazer colares e saltar à corda com os fios, falam pelos cotovelos o tempo todo, mas acabam por desfrutar do tempo que estão dedicados a fazer as suas peças e prometem que vão continuar a fazer.

A motricidade, a concentração e o complemento aos programas curriculares que não dão a devida atenção às expressões e aos trabalhos criativos foram alguns dos motivos que levaram algumas mães a levarem os mais pequenos a este Workshop Day. Eu, como mãe de um bebé de 18 meses confesso que já me preocupo com o tema da falta de disciplinas criativas nos currículos, alicerçado no facto de estar  no mercado de trabalho e saber que nos pedem "omolete sem ovos" todos os dias, independentemente de trabalharmos em Artes Plásticas ou em Gestão. 
Essa foi também a razão porque no Verão fiz a primeira oficina do "A,B,C da Tapeçaria" e porque desta fez criei um conjunto de workshops focados no tema. Para além de adorar, óbvio, vejo nestas horas um trabalho que vai um bocadinho mais além do ensinar e aprender uma arte e por isso, quero muito continuar. Espero contar com o vosso apoio desse lado.

Até já,
Rita



Fluffy

10.10.16

Quem me conhece sabe que a minha cabeça é na maior parte do dia uma confusão de ideias que se atropelam à espera que chegue a sua vez de se transformarem em algo palpável. Para ajudar à confusão, eu não sou propriamente uma executante supersónica e gosto de alguma calmia no processo criativo. Logo, muitas vezes as peças tardam, mas lá chegam. 

Isto para vos dizer que gostei tanto desta peça e estou tão contente por a ter finalmente concretizado que resolvi dedicar-lhe um post para vos mostrar, principalmente, a sua versatilidade. Na sua maioria é feita em 100% lã de Arraiolos - com algumas misturas de outros fios aqui e ali para lhe dar alguma textura -, o que lhe confere resistência. 

Pode ser colocada na parede, no chão para um apontamento ou para tornar mais confortável um banco ou uma cadeira. Pode ainda ter outros diâmetros, outras cores e outras texturas. Acabei por optar pela solução de parede, mas gostava da vossa opinião.
Qual a utilização que mais gostam?

Desafio: Tricot

3.10.16

A minha primeira peça de tricot deste Outono ( e do desafio lançado de mim para mim ) está pronta a uso. É um cachecol feito em 100% lã e se a mini-pessoa cá de casa não se render ao seu encanto, fica muito bem a aquecer o nosso Rodolfo.
A próxima peça já tem as malhas montadas e está pronta para começar a ganhar forma, vai ser um gorro, mas conto tudo mais adiante noutro post.
Até lá!

Wooden Textiles

26.9.16

“Madeira têxtil”, “Têxteis de madeira”, “Madeira que vira tecido”... não achei que nenhum dos nomes  fosse apropriado para o título do post, daí que apostei no nome original, dado por Elisa Strozyk, a designer e autora desta linha de produtos que mistura madeira e tecido. 
Elisa acrescenta à madeira propriedades têxteis, tornando este um projecto inovador - característica muito apreciada nos dias de hoje. Contudo, confesso que foi o lado romântico que me prendeu.



Numa sociedade que substituiu as cartas pelas mensagens electrónicas e que parece que tudo está à distância de um botão, diz Elisa que  “dar a devida importância às superfícies que desejamos sentir pode-nos ligar ao mundo material e aumentar o valor emocional de um objecto”. Eu também acho.


Wooden textiles procura transmitir uma nova experiência táctil, no sentido que em estamos habituados a sentir a madeira como um material rígido, sabemos qual a sensação de caminhar sobre a mesma ou de a tocar, mas não estamos acostumados com uma superfície de madeira que possa ser moldada com as mãos. 
O processo consiste em cortar peças triangulares e colá-las sobre uma base têxtil que dependendo do tamanho e da forma, mostrará um comportamento diferente em relação à flexibilidade e maleabilidade. No fim, pode ter vários usos, de tapetes e almofadas a cobertores e até roupa.

Fonte: Archdaily
Fotos: Studio Been


Tricotar

21.9.16

A poucas horas de entrarmos oficialmente no Outono, venho falar-vos publicamente de um desafio que coloquei a mim mesma: aprender a tricotar. 
Sei incrivelmente pouco, ao ponto de nunca ter conseguido decorar o que é o ponto de "meia" e o de "liga", já fiz dois cachecóis para mim, o último deles em canelado levou-me um Inverno inteiro (!), mas gosto, embora nunca lhe tenha dedicado muito tempo e já me tenha lançado este mesmo desafio um par de vezes. A novidade é que estou mais do que nunca determinada a levar a melhor desta vez, motivada por mil ideias de Pinterest para pequenas criaturas. 
E já que falamos em Pinterest, criei este moodboard que está em permanente actualização, por isso se tiverem imagens de projectos bonitos para a troca, enviem-me.
Voltando ao tricot, como sou de "baby steps" e não me consigo aventurar logo em grandes complicações, o primeiro projecto é um cachecol para a mini pessoa lá de casa, em lã portuguesa - a João da Rosa Pomar - toda no mesmo ponto (o mais fácil para mim) e com riscas para treinar a mudança de cor. 
Alguém desse lado com desafio idêntico? Contem-me e mostrem-me tudo!

"A, B, C da Tapeçaria"

2.8.16

No dia 29 de Julho, no âmbito das Semanas Criativas d'A Mercearia, dinamizei um workshop para pequenos grandes tecelões. Eram 11.
A sexta-feira era o final de uma semana animada, criativa mas cansativa. Já se conheciam todos, portanto a vergonha era coisa que não lhes assistia. Só não me conheciam a mim, o que me valeu cerca de 10 minutos de maior organização. Depois disso, instalou-se a brincadeira, uma dose de desorganização, piadas, cantorias e muita risada.
Todos sem excepção, apanharam o jeito logo nos primeiros minutos e deram-me uma lição em combinação de cores. Foram entusiastas, curiosos e perfeccionistas, o que, a juntar a todos os outros trabalhos que vos convido a ver pelas fotos d'A Mercearia, comprova que não são só os vídeo jogos e a televisão que os consegue entreter. Lá para Outubro, há novidades.

Experiências ao tear

28.7.16

Ultimamante tenho-me dedicado mais à tecelagem do que à tapeçaria. Não existe aparentemente uma razão especial para isso, à excepção da vontade e de uma veia experimental à qual tenho feito por dar espaço e tempo, porque no meu processo criativo, experimentar é fundamental. 
Noto contudo que, pelo menos por agora, a tecelagem tem sido um melhor suporte e via de expressão. Talvez porque tenho tendência a peças e desenhos mais minimais, talvez porque me permite fundir as cores que gosto de outra forma, porque consigo introduzir os dourados, os prateados e os brilhos de uma maneira mais subtil. Tenho também andado a balançar entre as peças decorativas e as funcionais sem me conseguir decidir para onde pender. 
No fundo, tenho a cabeça a borbulhar de ideias soltas, vontade de criar coisas novas e um labirinto de caminhos que me paralisam mais do que me fazem avançar. Mas há também uma certa calma neste caos e a esperança de que o caminho se vai acabar por revelar.





As imagens são da última peça que terminei e que se tornou num painel decorativo. Gostam?

workshop & open day

4.7.16






No passado dia 25 de Junho abri a porta do meu espaço de trabalho para receber um workshop. Uma espécie de open day onde para além da formação, se pudesse passar o dia em ambiente de atelier com tudo o que isso inclui. Era um modelo que achava que se adaptava bem a mim e à minha maneira de passar conhecimentos e o resultado, digo eu, foi muito bom. Por isso mesmo, vou repetir já no próximo dia 16 de Julho.  As vagas são limitadas e as inscrições feitas por email. Venham!

Fiar

15.6.16
Desde o dia em que redescobri os meus velhinhos teares de criança, que esta aventura têxtil se tem adensado assim como a vontade de investigar, aprender, aprofundar e experimentar. Tenho tido a sorte de me cruzar com pessoas interessantes, gente que sabe do que fala e do que faz e que partilha os seus conhecimentos. E foi dentro deste âmbito de partilha que fui aprender os primeiros passinhos do processo de fiação de lã, num workshop dado pela  Salva a Lã Portuguesa na minha "escola" de Tecelagem, o Atelier Tramas & Teias
Falámos sobre o ciclo da lã, das espécies, das tosquias, da forma de cuidar e lavar, de como cardar e de fiar. Experimentámos o fuso e experimentámos a roda e posso dizer que não é tão fácil como pode aparentar. É preciso prática e coordenação motora para fazer com o pé um movimento e com as mãos outro, mas vale a pena, é bonito, romântico de tão rudimentar e fazer um novelo(zinho) dá gozo. Agora é conter-me para não me meter em despesas.












Arquitectura

28.3.16

"O que te serve de inspiração?"
Muitas são as vezes que me fazem esta pergunta, para a qual objectivamente não tenho resposta. "Tudo", digo na maioria das vezes, admitindo que a Natureza será provavelmente de onde retiro mais ideias, mas não só. E aqui está o exemplo disso, de como também "bebo" da arquitectura. Esta fachada é para mim bastante inspiradora, adoro as cores e a forma como estão dispostas. O edifício chama-se Sugarhouse e é da responsabilidade do gabinete de arquitectura Assemble. No seu interior existem espaços de trabalho acessíveis e de alta qualidade e a fachada é revestida a azulejos decorativos de betão feitos à mão. Uma ideia a testar e uma palete de cores pastel irresistível.

céline

4.3.16

É da colecção Ready to Wear de 2011 da francesa Céline, lindo e (para mim) bastante actual, uma verdadeira inspiração.
Só tenho pena que não habite no meu armário.

fonte: Vogue

sul

2.3.16
Azul, areal e cheiro a estevas. O branco caiado, o amarelo torrado e a linha do horizonte. Não foi difícil reunir fontes de inspiração para duas peças destinadas à Cerca do Sul e uma visita ao site, para quem não conhece o lugar pessoalmente, atesta o que acabo de escrever. Quem conhece as paisagens por aqueles lados também sabe do que estou a falar: é a simplicidade em estado puro oferendo do melhor que há. Os tons pedidos eram os neutros e a dar lugar a cores, que não fossem artificiais.  O Sudoeste Alentejano é o destino. O resultado está aqui. 




Fevereiro

1.3.16

Fevereiro foi mês cheio. Novas ideias, novas peças, novos desafios e novas colaborações - a revelar durante o mês de Março. Fevereiro foi mais de casa do que de rua, mais de lareira do que de passeios. Foi o mês dos namorados e de celebrar o Amor e o mês em que festejámos os 10 meses do Sebastião, a chegada de mais um dente e de mais umas gracinhas. Fevereiro foi em bom. Agora que venha Março, os primeiros sinais de Primavera, os dias mais compridos, quem sabe uma temperatura mais amena e algumas novidades.

A M A R

11.2.16

No próximo fim-de-semana celebra-se o amor e conjuga-se o verbo amar. Confesso que não ligo muito ao Dia de São Valentim, mas achei uma boa data para testar um DIY que agora partilho com vocês. Uma tábua - a minha apanhei na praia, limpei e tratei para não ganhar bicharada -, pregos, letras (que imprimi, cortei e coloquei sobre a tábua para depois pregar os pregos certinhos) e fio, são os materiais necessários. Depois é escolher: uma palavra, uma frase, um nome...
Cá em casa, como gostámos do resultado, a tábua ficou num lugar bem visível para nos lembrar de conjugar o verbo em todos os tempos, todos os dias.

Espero que gostem!