D´Olival Casa

8.11.18
Quando a Helena me contactou porque iria abrir um novo espaço em Lisboa, com peças portuguesas para a casa, quis contribuir de uma forma diferente.
Pedi-lhe que me falasse do projecto, que me contasse a história do que ia nascer e que me desse uma ideia do que pretendia. A minha proposta foi a de desenhar uma linha original e exclusiva, que fosse um desafio para mim e uma mais-valia para a loja. Com a informação, comecei uma parte do processo criativo de que gosto bastante: a pesquisa. Queria cruzar a identidade do projecto da Helena com a minha. Acordámos que os motivos andariam pelas oliveiras, folhagens, azeitonas, mas para que eu me identificasse com os mesmos, teria de os estilizar, de os tornar mais simples.



O resultado foram 3 padrões e 4 cores - preto, verde, mostarda e terracota -, e a Helena escolheu conjuntos de individuais e toalhas de mesa.
Ao longo do tempo em que estive a desenvolver as peças, fui mostrando no Instagram algumas delas e o retorno foi muito bom. Obrigada a vocês.
Como se trata de uma linha exclusiva, as peças só estão disponíveis na D´Olival Casa e já chegaram, bem a tempo das vossas compras de Natal.

Esperamos que gostem!










Índia: aprender localmente

2.11.18
Já muitos de nós vimos a imagem de Gandhi sentado a fiar. Diz a história que fiava, todos os dias, 200 metros de algodão. A roda de fiar, tornou-se o símbolo da libertação da Índia do império inglês sem o uso da violência.
Já na altura, a Índia era um dos maiores produtores mundiais de algodão e a indústria têxtil, tornou-se a maior empregadora do país. São muitos milhões que todos os dias trabalham nos mais diversos ofícios desta actividade e esse foi também o motivo que nos levou lá.
Há um ano andávamos nos preparativos para a nossa viagem. Levávamos duas mochilas, o Sebastião com 2 anos e 8 meses, um nervoso miudinho na barriga e muita vontade de conhecer, explorar e aprender.
Era uma viagem de trabalho e lazer e entre os nossos objectivos estavam fazer contactos, conhecer pessoas,  criar laços, aprender técnicas e beber inspiração. Foi fantástico, mas como já vos disse antes, de digestão lenta.
Esta viagem possibilitou-nos criar uma ponte com artesãos locais, comunidade e famílias. Trouxemos amigos e alguns produtos - que temos na loja online - e lentamente esta ponte tem vindo a dar os seus frutos, em peças que usam técnicas locais com desenhos originais ou combinações que espelham a estética e identidade do nosso projecto.
Partindo sempre dos processos manuais, temos vindo lentamente a trabalhar com técnicas que aprendemos por lá e a desenvolver novos desenhos para 2019. Por isso, lembrei-me de partilhar aqui algumas imagens de parte da viagem relacionada com todo este universo. Espero que gostem e que vos sirva também de inspiração.



ARTlier

24.9.18



Para quem se prende em detalhes e gosta de ofícios, o ARTlier, em Campo de Ourique, é o sítio. Os móveis antigos, as cadeiras penduradas, o quadro de ardósia onde estão identificadas as ferramentas,  as mesas de marceneiro e o pátio exterior, são apenas algumas das coisas que fazem deste estúdio dos mais fotogénicos que conheço. No último sábado - 22 de Setembro -, voltei ao ARTlier, em Campo de Ourique, para um workshop de "Tábuas Tecidas" e foi impossível não [voltar a] fotografar o que nos rodeava porque é realmente inspirador. Só por estar lá, já dá vontade de meter as mãos em alguma coisa, seja no Macramé, na Serigrafia, no Restauro, no Empalhamento, no Polimento ou na Talha - alguns dos Workshops dados no atelier. Venham daí, vou tentar mostrar-vos em imagens um pouco do ambiente que se vive ali.

Baby Boom

20.8.18

Fomos ao Boom e levámos o Sebastião, mas desengane-se quem achar que é uma coisa fora do comum. Felizmente, o Festival estava bem recheado de crianças das mais variadas idades.
Ainda assim, durante os dias em que estivemos em Idanha-a-Nova e nos que se seguiram, recebi bastantes mensagens, na sua maioria de mães, a perguntar como tinha sido, se ele tinha gostado e como eram as condições. Este post tenta responder a essas questões.


O meu testemunho é única e exclusivamente baseado na nossa experiência.
Começo por a idade. O Sebastião está com três anos, para mim a idade a partir da qual  tira proveito de uma experiência como o Boom. Na edição anterior – 2016 – não foi porque achei que não era a altura.
Contudo, desde 2016, altura em que vi como era o espaço dedicado aos mais pequenos – o Young Dragons -, que soube que ele, na altura certa, se iria encaixar bem e divertir-se. E foi o que aconteceu.
Entre brincadeiras em casas-de-árvore, passando por workshops vários – barro, pintura, capoeira, música, … -, banhos de barragem e dormir numa tenda, tudo contribuiu para uma experiência positiva e que muito beneficiou ainda com as amizades travadas, a disponibilidade para a diferença, a capacidade de falar a “língua da brincadeira” quando a oralidade era diferente e o afastamento das tecnologias por uma semana.


E o calor? E o pó? Perguntam vocês. 
Contra as temperaturas altas existem sombras – muitos dos espaços pensados para crianças são generosos em árvores de copas grandes. Já para o pó, não há alternativa, mas no nosso caso, não foi nada que não se aguentasse.

Algumas de vocês perguntaram-me se havia pessoas para cuidar das crianças. Não, não existem. O espaço tem uma equipa que dinamiza os workshops, que ajuda na gestão de tudo, mas as crianças ficam à responsabilidade dos pais, o que quer dizer, necessariamente, um Festival diferente, mas que não tem de ser pior.

Porque o levámos?
Porque sabíamos que se ia divertir, que ia gostar e, fundamentalmente, porque acreditamos que dar-lhe experiências variadas, tirá-lo da zona de conforto e expô-lo à diferença contribui para a sua educação.

Não sei se respondi a todas as dúvidas, mas se ficou alguma coisa por esclarecer, deixem nos comentários que respondo a tudo.

Até já,

Update

16.7.18





Fazia possivelmente muito mais sentido publicar aqui o texto que se seguiria da nossa viagem, e sei bem que os posts sobre a mesma não tiveram nem têm a cadência desejada, mas não quis forçar a escrita e por isso ainda estão por sair. Não é que este texto não esteja de alguma forma relacionado com a viagem, porque está, mas de uma forma colateral.

Este texto é também uma forma de resposta a algumas perguntas que me têm feito sobre a menor quantidade de peças que tenho feito e mostrado. Para responder vou recuar um pouco até ao final de 2017, o fim de um ano muito cansativo, em que lidei com muitos projectos, encomendas de dimensões grandes e dead lines constantes. Cheguei ao fim cansada, em demasia e já rumei à Índia com a vontade de atribuir real significado à expressão “slow”. Num mês de viagem onde as distâncias são grandes, as viagens de comboio são intermináveis e as escalas têm duas mãos cheias de horas, quer se queira quer não, o tempo abranda e dá-nos tempo para olhar para dentro.  

Percebi nessa análise que me estava a desviar do real propósito com que tinha iniciado o projecto, que estava aborrecida porque já não me surpreendia e que a minha criatividade estava estagnada porque não tinha tempo para a alimentar. No meio de encomendas, emails, updates de redes sociais, styling de imagens, estava embrenhada numa rede e nem me tinha dado conta. Senti a real necessidade de parar e de arranjar mecanismos que me fizessem lembrar disso mesmo com alguma regularidade – porque para mim seria fácil entrar no mesmo círculo sem dar por nada – e perder  identidade. 

Decidi dedicar o ano que começava a encontrar-me, a mim e ao projecto e pouco tempo depois descobria que estava grávida do meu segundo filho. Tudo parecia estar em sintonia. Na perspectiva do lado pessoal isso significa dedicar mais tempo à família e a fazer outras coisas que tanto gosto e que me alimentam a criatividade também. Na perspectiva do projecto, a aceitar menos trabalho, a experimentar coisa novas, a ter tempo para errar e fazer de novo, a pintar, desenhar e exercitar a imaginação, a fazer pequenas formações em outras áreas inspiradoras e, com tempo, dar o rumo e a identidade que senti que no final do ano se podia estar a perder.

Este projecto é uma extensão de mim e quero muito que represente isso mesmo, quero fazer peças simples mas bonitas, verdadeiras e perfeitamente imperfeitas, sofisticadas mas "cruas" ao mesmo tempo. Este é o meu processo evolutivo e acredito que o que estou a semear agora, me dará frutos mais para a frente. Eu pelo menos acredito nisso.

Espero que fiquem desse lado.

Ps: Nas imagens está a minha última criação. E sabem o que me deixa mais satisfeita com o resultado? É o facto de perceber que se eu fosse uma peça têxtil, podia muito bem ser assim. Está disponível na loja online.